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03/10/2012 às 09:12 - Por Colunistas

SONHOS para John Lennon, obra prima do poeta maringaense Jaime Vieira



SONHOS

                  Para  John Lennon

 

Ei, meu amigo John,

por aqui nada mudou!

Os limites dos sonhos

ainda não são diferentes

daquilo que você imaginou,

apenas muitos computadores

e poucas emoções,

muitos mísseis,

muita tensão,

muito vidro,

muito aço,

pouco tempo,

pouco espaço,

e uma saudade sua

e dos seus versos

numa nova canção.

 

Ser artista e gente como você

é diferente do que posso imaginar,

diferente de tudo – diferente do diferente,

“aqui, ali, em qualquer lugar”.

Nem você, nem Beethoven,

nem Schubert, nem Bach

comporia uma sinfonia

para que pudesse o povo, um dia,

acreditar, sonhar e imaginar.

 

“O sonho não acabou”.

“Nada vai mudar nosso mundo”.

“I don’t expect you understand”.

Eu não espero que você entenda,

apenas compreenda,

que o sonho acabou... para você, John,

para nós, ainda não,

Passaram-se os anos,

cinco tiros não calam uma geração.

 

Estouram-se os miolos do cantor,

mas não apagam o seu canto.

 

E na porta do Dakota

um idiota

calou o mundo

por alguns segundos,

calou um pássaro,

mas não seu canto,

que, por encanto,

acordou nos muros

de alguma cidade

do interior

do coração

de algum país.

 

“Somos todos água,

mas de rios diferentes.

Um dia nos encontraremos

no mar e evaporamos juntos”.

 

“Imagine all the people

living life in peace”...  

          

Jaime Vieira in “Outonos” 1986

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